06 marzo, 2004

Polícia apura desvio de dólares e morte de irmã

Jornal Zero Hora

Porto Alegre, 04 de Março de 2004. Edição nº 14074

Religião

Corpo da missionária morta em Moçambique deverá chegar hoje

GÉSSICA TRINDADE/ Casa ZH/Vale do Sinos

O desvio de dólares do qual é suspeito um pastor luterano tornou-se uma das principais fontes de investigação da polícia de Nampula, em Moçambique, para elucidar o assassinato da missionária gaúcha morta há 12 dias na cidade. O corpo da irmã Doraci Edinger, 53 anos, deve chegar esta noite ao Rio Grande do Sul e ser sepultado amanhã, às 10h, na Casa Matriz de Diaconisas, à qual ela pertencia, em São Leopoldo, no Vale do Sinos.

A religiosa, integrante da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), foi morta a golpes de martelo em seu apartamento. O corpo só seria descoberto no último dia 24, caído no piso do quarto, envolto em cobertas. O traslado começou ontem, às 10h (5h no Brasil), horário do embarque de Nampula à capital do país africano, Maputo. A urna fúnebre foi levada para Johannesburgo, na África do Sul, e hoje pela manhã deve ingressar em um vôo direto ao Aeroporto Internacional de Guarulhos, em São Paulo.

Segundo o chefe de instrução da Polícia de Investigação Criminal de Nampula, Carlos Manuesse, o desvio de dinheiro que pode estar ligado ao assassinato ocorreu em Maputo, e o pastor suspeito já estaria aguardando o julgamento pelo crime. Ele ainda revela que, sem permissão policial, pessoas da própria igreja foram flagradas dentro do apartamento de Doraci, logo após a retirada do corpo, vasculhando o local e listando seus pertences.

- Fiquei intrigado. Como é que iam fazer uma lista se ela vivia sozinha dentro do apartamento? Proibi, achei deselegante e irregular. É o mesmo grupo de indivíduos que retirou o corpo de um hospital para outro e não me avisou antes. Foi ocultação de cadáver - sustenta o chefe de instrução.

Saques em banco são investigados

Havia ontem quatro religiosos presos, por retirar o corpo do local onde estava, e ainda os dois seguranças do prédio onde vivia Doraci presentes na noite do crime. Manuesse solicitou aos bancos locais informações sobre os últimos saques realizados pela missionária, já que nenhum de seus pertences teria desaparecido do apartamento. Ele cogita de que o dinheiro eventualmente guardado ali possa ter sido roubado dela.

Integrante da Confederação Mundial Luterana, Ian Larkapins, que cuidou da liberação do corpo, diz desconhecer as suspeitas sobre desvio de dinheiro.

Ele conta que chegou em agosto do ano passado para trabalhar em Nampula e até agora não teria sofrido ameaças, mas mantém um forte esquema de segurança em sua casa. Larkapins só aguardava o traslado do corpo para se transferir a outra província de Moçambique.

- Estou indo para um lugar mais calmo - desabafa.

Zero Hora

Porto Alegre, 06 de março de 2004. Edição nº 14076

Guiné-Bissau: jornal alerta para tráfico de órgãos

CORREIO DA MANHÃ

2004-03-06 00:00:00
Guiné-Bissau: jornal alerta para tráfico de órgãos
CRIANÇAS VENDIDAS A CANIBAIS

A notícia caiu como uma bomba, deixando a maioria dos guineenses aterrados. O semanário local 'Fraskera' denunciou alegados raptos de crianças em Gabu, 200 quilómetros a leste de Bissau, a capital, levando muitos a estabelecer o inevitável paralelo com a situação que se vive em Moçambique. No caso da Guiné, os raptores, além de presumivelmente matarem as crianças para tráfico de órgãos, também negociarão as suas vítimas com canibais locais. Um novo horror.

Seyllou Diallo

Crianças africanas são agora vítimas do tráfico de órgãos

Aquele jornal guineense adianta que pelo menos dois jovens conseguiram escapar aos seus sequestradores em Fevereiro e contaram como tudo se passou. Num dos casos, um homem apareceu de mota no bairro de Sintcha Tombom, a um quilómetro de Gabu, e obrigou uma criança, que estava a brincar sozinha, a subir para o veículo, seguindo depois para Boé, na fronteira com Guiné-Conacri. Uma avaria na mota terá ajudado a vítima, que conseguiu escapar apesar de o raptor ter tentado amarrá-la numa árvore.
No segundo caso, um grupo de gatunos surgiu vestido com fardas da Brigada de Intervenção Rápida e raptou uma criança de 10 anos. Os gritos do socorro da vítima salvaram-na, já que populares que estavam a rezar foram prontamente acudi-la.
Os raptores serão contratados por pessoas de países vizinhos, as quais vendem crianças a canibais locais. Também parece haver fortes possibilidades de os raptores estarem envolvidos no negócio de tráfico de órgãos, à semelhança do que sucede em Moçambique. As autoridades guineenses mantêm um preocupante silêncio.

RAPTOS LIGADOS À FEITIÇARIA

O rapto e a morte de crianças em Moçambique podem estar ligados à prática de feitiçaria. Esta é a convicção de Habibo Amad, secretário provincial do Conselho Islâmico de Moçambique.

"Nós sabemos que os órgãos humanos extraídos de corpos de crianças aqui em Nampula não são usados para fins de Medicina. É um caso de feitiçaria para garantir virilidade ou riqueza a quem encomenda", afirmou.

Refira-se que o desaparecimento de crianças já fora relatado pela Imprensa moçambicana em 1995, embora associado ao trabalho escravo. A própria polícia moçambicana registou, em 2003, a ocorrência de seis raptos em Maputo. Mas as autoridades nada fizeram, afirmando não dispor de elementos que confirmem as denúncias.

05 marzo, 2004

Nampula - Várias versões sobre a morte da freira brasileira

IMENSIS

2004/03/05

Várias versões estão a surgir em Nampula sobre quais terão sido os verdadeiros motivos que conduziram ao assassinato da freira brasileira da Igreja Evangélica Luterana de Moçambique, Edoraci Julieta Edgar, na última semana de Fevereiro.


Alguns comentaristas tentam ligar este assassinato ao tão mediatizado caso de tráfico de menores e de órgãos humanos.

Contudo, a PRM já reagiu a este facto, distanciando-o desta hipótese, baseando-se nos resultados da autópsia feita ao corpo da vítima, que revelaram que a morte terá sido violenta, supostamente por via de um martelo que foi encontrado no local do crime.

Outras versões apontam para uma alegada fricção interna da própria Igreja Luterana em Nampula, tendo como base o facto de a Polícia ter já em seu poder indivíduos ligados a esta congregação, suspeitos de terem algo a dizer sobre a morte da freira.

Segundo fontes ligadas àquela igreja, nos últimos tempos a malograda não era bem vista por parte de alguns crentes que achavam que a sua verticalidade punha em causa as suas actividades que lesavam os interesses da igreja.

Segundo as mesmas fontes, a freira não tolerava o espírito de `deixa andar´ que caracterizava o comportamento de alguns elementos da hierarquia da igreja. Por isso, a freira terá provavelmente exigido a reposição de cerca de 150 milhões de meticais que se encontravam nas mãos de alguns crentes, e que se destinavam a um projecto da igreja.

O desfalque deste dinheiro é um dos assuntos mais delicados que a freira se preparava para levar consigo a uma assembleia da Igreja, que estava programada para a cidade da Beira.

Especulações segundo as quais ela terá sido morta porque estava prestes a divulgar dados concretos sobre o alegado tráfico de órgãos humanos e de menores em Nampula, incluindo nomes das pessoas envolvidas e todo o circuito do negócio, não estão a ter muito eco ao nível da opinião pública local.

Quatro dos detido em conexão com a morte da freira são crentes da sua própria congregação, enquanto que os restantes dois são os guardas do prédio onde ela vivia.

A Polícia acredita que mesmo não tendo conseguido ainda estabelecer a identidade dos verdadeiros criminosos, as detenções já efectuadas constituem um passo importante nesse sentido...

fonte: SAVANA

Bispo lamenta inacção da comunidade internacional

O Bispo de Nampula denuncia a inacção da comunidade internacional no caso do alegado tráfico de órgãos em Moçambique.

05-03-2004/17:49

Ouvido pela RR, D. Tomé Makwellia diz que é preciso esperar pelas conclusões das investigações da Procuradoria, porque os factos já são conhecidos.

O Bispo lamenta que não tenham ido ao território observadores internacionais.


IN MEMORIAM DE DORACI (2)

DIALOGANDO

por João CRAVEIRINHA email: joaocraveirinha@yahoo.com.br

NAMPULA MASSIKHINI
(Pobre Nampula)


A COMUNICAÇÃO SOCIAL moçambicana está de parabéns pela cobertura sem medo denunciando o alegado TRÁFICO DE ORGÃOS HUMANOS E DO DESAPARECIMENTO DE CRIANÇAS DESFAVORECIDAS. As mulheres e homens das Rádios e correspondentes da imprensa na capital do Norte de Moçambique – Nampula, estão na primeira trincheira neste momento, na denúncia e busca de fontes sobre o tráfico de órgãos humanos.

Há gente que alega, os corpos mutilados serem utilizados para feitiçaria…De facto esta Democracia imposta está a ter preços muito altos para a sociedade em Moçambique com a banalização da vida humana. Se do colonialismo se passou para o marxismo socialista, posteriormente, seria dado outro salto fatal para uma democracia atamancada, despreparada sem rede por baixo – conduzindo a um liberalismo total e indisciplinado e sobretudo desumano.
Nampula longe do poder central de há muito que estava entregue à sua sorte …Antes, na rota da droga do Paquistão (e Dubai!?), via Nacala para Nampula cidade, além de Inhambane e Maputo. Os baronetes indianos de Moçambique em ligação com os paquistaneses da droga. É do conhecimento público nacional e internacional. Com a questão da Al Qaeda – e da Fraternidade muçulmana envolta nos negócios é um tema por demais abordado das guerras do Afeganistão nas revistas e nas Televisões mundiais…Moçambique surge nesses mapas de redes mundiais da droga. Como se isso não bastasse…temos agora os alegados desaparecimentos de pessoas para extracção de órgãos. POBRE NAMPULA – uáMPULA MASSIKHINI!!

No caso da missionária DORACI, é possível que tenha sido vítima de efeitos colaterais da desumanidade que grassa em Nampula da ganância do dinheiro e eventualmente o seu assassínio não tenha a ver com o tráfico de órgãos humanos mas os requintes de brutalidade premeditada de lhe esmagarem a cabeça a martelo revela ao que se chegou em Nampula e de maneira geral em todo o país. Ela será um paradigma do martírio do sacerdócio em terras africanas de Moçambique. DORACI estava de abalada para o seu Brasil natal com muitas mágoas na alma por deixar uma Terra que fez sua.
Nampula se fez do nada com descendentes de famílias mestiças antigas do vale do rio Zambeze, população local macua, uns ou outros caboverdianos e ainda colonos portugueses. Famílias respectivamente de Morrumbala e de Tete. Teriam migrado para a região depois do Tenente português Neutel de Abreu, ter edificado o posto militar de Nampula em 22 de Novembro de 1907 vindo de uma anterior comissão em Angola e de São Tomé e Príncipe em 1895. Com soldados da 5ª Companhia portuguesa do posto de CORRANE e homens disponibilizados pelo Rei nativo da região da macuana, o poderoso MUCAPERA, é construído o posto de Nampula…” num local formosíssimo, a 440 metros de altitude, onde hoje se encontra o quartel das forças militares. Lá longe, alargava-se a beleza extrema da floresta e, ao sul, a recortar-se no espaço, a serra Mihôvo, que se assemelha ao rosto e corpo de um negro. Sobre o verde-escuro das serranias, o céu, no entardecer, tingia-se de escarlate”…(in biografia de Neutel de Abreu por Manuel Ferreira, Lisboa 1946). O Rei Mucapera aliado dos portugueses contra Faralay do tráfico de escravatura na região costeira de Nampula. O Rei de toda a macuana, faleceria de velhice em 30 de Outubro de 1932. Nampula como muitas regiões despovoadas e doentias, onde os portugueses edificaram postos militares, à posteriori, seriam transformados em povoações, vilas e cidades. No início de seu povoamento geográfico, seriam autênticos cemitérios de doenças palúdicas ou maláricas e cólera, pois careciam de todo o tipo de infra-estruturas de saneamento e sobretudo de água potável e de peixe (iodo) que chegava da costa (Lumbo) a cerca de 190 km misturado ainda com areia da praia para o conservar mas em vão, visto o péssimo estado impróprio para consumo. Em 2004 a cidade de Nampula parece ter regressado ao passado de há quase 100 anos atrás...São os traumas transgeracionais deixados pela escravatura em Nampula e na costa, e ainda da feitiçaria que regressam também em força em rituais de magia negativa.

Que mais esta morte violenta em Moçambique, não passe impune. Que a indignação e a denúncia cresçam. Só quando os verdadeiros mandantes forem expostos e condenados, aí sim, Moçambique entrará na idade da maturidade política através de seus dirigentes!

SE O CÉU EXISTE, ENTÃO LÁ, UM CORO DE SERES ANGELICAIS, ESTÃO ENTOANDO UM REQUIEM PARA DORACI. E O TRAQUINA DO MOZART, TOCANDO ORGÃO!!

Indiferencia policial en las investigaciones sobre el asesinato de misionera en Mozambique

afrol News, 4 de Marzo de 2004 - Organizaciones católicas y luteranas están acusando a las autoridades de Mozambique de mostrar"indiferencia" con respecto a las investigaciones sobre el asesinato en Mozambique de la misionera luterana Doraci Edinger. El asesinato está relacionado con "una red de tráfico de órganos" en Nampula, norte de Mozambique. Edinger y religiosas católicas españolas denunciaron el tráfico de órganos, pero sus demandas no son tomadas en serio por las autoridades mozambiqueñas.

La Federación Luterana Internacional (LWF, en inglés) expresó ayer su preocupación ante el "evidente retraso" en la investigación del caso de Edinger y solicitó a las autoridades de Mozambique que "se realice una investigación cuidadosa y los culpables sean tratados ante la justicia".

El cuerpo de Edinger, misionera luterana de 53 años y nacida en Brasil, fue encontrado el 23 de febrero en su apartamento de Nampula. La misionera brasileña, en varias ocasiones, había expresado su preocupación por su seguridad, especialmente desde que hubiese apoyado a monjas católicas en sus investigaciones sobre una red de tráfico de órganos humanos y niños.

A finales del año pasado, la misionera católica brasileña Maria Elilda dos Santos denunció el tráfico internacional de órganos humanos que operaba en la región de Nampula. La religiosa presentó un informe a la Liga de Derechos Humanos de Mozambique, en el que se describían a grupos de personas sospechosas de matar a niños pobres para vender sus órganos a sudafricanos. Al hacerlo público, tanto Maria Elilda dos Santos como sus compañeras religiosas -entre ellas un grupo de españolas- del monasterio Matter Dei y otras colaboradoras como Edinger, comenzaron a recibir repetidas amenazas.

Todavía tiene que demostrarse una conexión entre el asesinato de Edinger y la red de tráfico de órganos. Sin embargo, los religiosos lo ven claro. Según el Secretario General de LWF, Péri Rasolondraibe, la federación "está también preocupada por las circunstancias que rodean a este crimen". El líder de LWF ha pedido al ministro mozambiqueño de Interior, Almerino Manhenje, que estudie el caso, ya que no confía en los investigadores locales.

Clérigos católicos y luteranos en la provincia de Nampula han aprendido a temer a la policía local desde que el tema del tráfico de órganos fuese hecho público por Elilda - en muchas de sus declaraciones se indica que los oficiales de policía de Nampula pueden estar implicados en la red-.

Elilda investigó el primer caso de tráfico de órganos conocido -una chica de 12 años que había desaparecido en octubre de 2002-. Su cuerpo fue encontrado sin corazón, pulmones ni riñones. El caso fue notificado a la policía, pero realizó ninguna investigación. Las autoridades de Nampula pidieron enterrar el cuerpo y el caso quedó archivado. Elilda y cinco niños recibieron amenazas de muerte y tuvieron que buscar más tarde refugio en el monasterio. Debido a la falta de protección, la religiosa ha vuelto ahora a Brasil.

Las monjas, sobre todo españolas, en el monasterio de Matter Dei, sin embargo, se enfrentan continuamente a amenazas de muerte y continúan documentando la red de tráfico de órgano de Nampula. Las religiosas han recogido nuevos testimonios de las víctimas de la red que habían conseguido escaparse, incluyendo las fotografías de niños asesinados y con los órganos que les faltas. El mes pasado, cuatro monjas escaparon de un ataque armado después de haber presentado las evidencias ante las autoridades.

Después de las investigaciones de las religiosas, el asistente del Procurador General del Estado, Rafael Sebastião, ha comenzado a estudiar el caso. Sin embargo, el 25 de febrero, dijo que una investigación preliminar no había encontrado "ninguna evidencia" de que órganos hubiesen sido quitados de cuerpos humanos y vendidos. Los especialistas forenses habían investigado 14 cuerpos de fallecidos, pero no habían encontrado nada que apoyase las acusaciones.

Ayer, ocho religiosos católicos, a través de una carta publicada en el 'Diario de Noticias' portugués dijeron que iban a buscar otra posibilidad presentando el caso al Presidente de Mozambique, Joaquim Chissano. "La existencia de una red de tráfico de órganos es innegable", se dice en la carta, denunciando que las autoridades locales no hacen nada.

También el caso del asesinato de Edinger avanza con lentitud. Seis personas han sido ya arrestadas, pero las autoridades de Mozambique rechazan ofrecer información sobre su identidad. El Procurador General Joaquim Madeira ha negado esta semana hacer comentarios sobre una posible relación entre la muerte de la misionera y la supuesta red de tráfico de órganos, diciendo que "hay que dejar primero a los investigadores hacer su trabajo".

© afrol News

04 marzo, 2004

Espinhos da Micaia

Savana Maputo 12.03.04
A vez da igreja católica
Por Fernando Lima

Todos sabemos das humilhações infligidas às confissões religiosas no pós independência.

Todos sabemos que o laicismo do novo Estado nascido no 25 de Junho não desculpa os abusos e excessos.

Também sabemos da hierarquia das religiões durante o colonialismo. Sabemos da colagem da religião do Vaticano ao regime de Salazar-Caetano, mau-grado Paulo VI.

E também sabemos que à revelia da orientação oficial, seminários, missões, locais de culto serviram de alfobre ao movimento de libertação.

A Igreja Católica soube resistir ao despojar de bens, ao insulto gratuito, à propaganda hostil. A igreja nunca deixou de emitir as suas cartas pastorais. Manuel Vieira Pinto e Jaime Gonçalves, mais difícil para este que para aquele, confrontaram Samora quando era difícil fazê-lo.

O bispo da Beira é um dos arquitectos do quadro de paz de que todos desfrutamos.

A igreja católica, mais ágil e pressionante que as outras confissões, com diplomacia e com algumas ameaças insinuadas, tem hoje de volta grande parte da propriedade perdida depois da independência. Chissano e muitos dos seus pares, “ renascidos cristãos”, fazem-se filmar nos templos nas datas mais marcantes do calendário litúrgico.

Com toda esta pacificação, nada fazia prever a “explosão católica” a propósito do alegado tráfico de órgãos humanos que tem epicentro em Nampula.

Vozes avisadas fazem notar que não é a igreja católica. D. Jaime, responsável pela Conferência Episcopal tem-se pronunciado com grande reserva, não obstante “dar a cara” por Nampula. O bispo local mantém-se silencioso. A Nunciatura não se pronuncia mas são conhecidos os apelos privados à moderação.

Restam os serviços missionários, autores do comunicado incendiário divulgado pela imprensa e os seus amplificadores centrados em Portugal. Não há beato de redacção (ou sacristia?) que não tenha vindo a público com relatos aterradores de morticínios em Nampula, na Beira, Gondola, Mandimba. Até um deputado no Parlamento Europeu, cujo partido trata Moçambique por “antigo ultramar português”, se desdobrou em frenéticos telefonemas para as chancelarias de Maputo para se inteirar da câmara de horrores em que o país se transformou. Há Nampula e há renovação de mandatos em Estrasburgo nos próximos meses.

Revanche ou não, unânime ou não, é a primeira vez que a igreja católica se envolve, com a dimensão nacional e internacional que conhecemos, a partir de acontecimentos numa província islamizada e com um governador de origem muçulmana.

É a vez da igreja católica quando em todo o mundo, mas sobretudo nos Estados Unidos, há um enorme escândalo envolvendo ministros da igreja de Cristo em práticas sexuais com menores.

O Estado e as suas instituições executivas parece não se terem apercebido da dimensão do problema que não se reduz à exploração degradante de menores dos extractos mais pobres da sociedade moçambicana.

Ao Estado, mas não só, compete dar as respostas adequadas a esta nova crise que nos estoirou entre portas.

Indiferencia policial en las investigaciones sobre el asesinato de misionera en Mozambique

afrol News, 4 de Marzo de 2004 - Organizaciones católicas y luteranas están acusando a las autoridades de Mozambique de mostrar"indiferencia" con respecto a las investigaciones sobre el asesinato en Mozambique de la misionera luterana Doraci Edinger. El asesinato está relacionado con "una red de tráfico de órganos" en Nampula, norte de Mozambique. Edinger y religiosas católicas españolas denunciaron el tráfico de órganos, pero sus demandas no son tomadas en serio por las autoridades mozambiqueñas.

La Federación Luterana Internacional (LWF, en inglés) expresó ayer su preocupación ante el "evidente retraso" en la investigación del caso de Edinger y solicitó a las autoridades de Mozambique que "se realice una investigación cuidadosa y los culpables sean tratados ante la justicia".

El cuerpo de Edinger, misionera luterana de 53 años y nacida en Brasil, fue encontrado el 23 de febrero en su apartamento de Nampula. La misionera brasileña, en varias ocasiones, había expresado su preocupación por su seguridad, especialmente desde que hubiese apoyado a monjas católicas en sus investigaciones sobre una red de tráfico de órganos humanos y niños.

A finales del año pasado, la misionera católica brasileña Maria Elilda dos Santos denunció el tráfico internacional de órganos humanos que operaba en la región de Nampula. La religiosa presentó un informe a la Liga de Derechos Humanos de Mozambique, en el que se describían a grupos de personas sospechosas de matar a niños pobres para vender sus órganos a sudafricanos. Al hacerlo público, tanto Maria Elilda dos Santos como sus compañeras religiosas -entre ellas un grupo de españolas- del monasterio Matter Dei y otras colaboradoras como Edinger, comenzaron a recibir repetidas amenazas.

Todavía tiene que demostrarse una conexión entre el asesinato de Edinger y la red de tráfico de órganos. Sin embargo, los religiosos lo ven claro. Según el Secretario General de LWF, Péri Rasolondraibe, la federación "está también preocupada por las circunstancias que rodean a este crimen". El líder de LWF ha pedido al ministro mozambiqueño de Interior, Almerino Manhenje, que estudie el caso, ya que no confía en los investigadores locales.

Clérigos católicos y luteranos en la provincia de Nampula han aprendido a temer a la policía local desde que el tema del tráfico de órganos fuese hecho público por Elilda - en muchas de sus declaraciones se indica que los oficiales de policía de Nampula pueden estar implicados en la red-.

Elilda investigó el primer caso de tráfico de órganos conocido -una chica de 12 años que había desaparecido en octubre de 2002-. Su cuerpo fue encontrado sin corazón, pulmones ni riñones. El caso fue notificado a la policía, pero realizó ninguna investigación. Las autoridades de Nampula pidieron enterrar el cuerpo y el caso quedó archivado. Elilda y cinco niños recibieron amenazas de muerte y tuvieron que buscar más tarde refugio en el monasterio. Debido a la falta de protección, la religiosa ha vuelto ahora a Brasil.

Las monjas, sobre todo españolas, en el monasterio de Matter Dei, sin embargo, se enfrentan continuamente a amenazas de muerte y continúan documentando la red de tráfico de órgano de Nampula. Las religiosas han recogido nuevos testimonios de las víctimas de la red que habían conseguido escaparse, incluyendo las fotografías de niños asesinados y con los órganos que les faltas. El mes pasado, cuatro monjas escaparon de un ataque armado después de haber presentado las evidencias ante las autoridades.

Después de las investigaciones de las religiosas, el asistente del Procurador General del Estado, Rafael Sebastião, ha comenzado a estudiar el caso. Sin embargo, el 25 de febrero, dijo que una investigación preliminar no había encontrado "ninguna evidencia" de que órganos hubiesen sido quitados de cuerpos humanos y vendidos. Los especialistas forenses habían investigado 14 cuerpos de fallecidos, pero no habían encontrado nada que apoyase las acusaciones.

Ayer, ocho religiosos católicos, a través de una carta publicada en el 'Diario de Noticias' portugués dijeron que iban a buscar otra posibilidad presentando el caso al Presidente de Mozambique, Joaquim Chissano. "La existencia de una red de tráfico de órganos es innegable", se dice en la carta, denunciando que las autoridades locales no hacen nada.

También el caso del asesinato de Edinger avanza con lentitud. Seis personas han sido ya arrestadas, pero las autoridades de Mozambique rechazan ofrecer información sobre su identidad. El Procurador General Joaquim Madeira ha negado esta semana hacer comentarios sobre una posible relación entre la muerte de la misionera y la supuesta red de tráfico de órganos, diciendo que "hay que dejar primero a los investigadores hacer su trabajo".

© afrol News

Moçambique: Procurador Geral não se sente ameaçado

Suspeitas de de tráfico de órgãos humanos em Moçambique sob investigação

Relativamente às investigações de alegado tráfico de órgãos, o Procurador Geral da República (PGR) de Moçambique diz que está tranquilo e não se sente ameaçado.
04/03/2004


Joaquim Madeira

(12:52) Joaquim Madeira reage assim ao alerta da freira brasileira que denunciou os alegados casos de tráfico de órgãos humanos, em Nampula.

Elilda dos Santos disse, em declarações à Renascença, que o PGR moçambicano corre risco de vida por estar a investigar o caso.

Também à RR, Joaquim Madeira declara-se tranquilo: "Não senti em algum momento risco de vida, até porque quem está no terreno são os meus quadros. Mesmo quem esteve no terreno, não me parece que tenham sentido alguma perseguição específica que ponha em risco a sua vida".

O Procurador moçambicano garante que as investigações sobre o caso de alegado tráfico de órgãos em Nampula está a seguir o curso normal. Joaquim Madeira revela, contudo, que para já não há novos desenvolvimentos.

Corpo de religiosa chega ao RS

Doraci Edinger foi assassinada a golpes de martelo na África dia 21

O corpo da missionária Doraci Edinger chegou ao aeroporto Salgado Filho, em Porto Alegre, às 23h45min de ontem. O enterro da religiosa, assassinada no dia 21 em Moçambique, na África, deve ocorrer hoje, às 10h, em São Leopoldo.

A chegada do corpo estava originalmente prevista para as 22h, mas houve um atraso na liberação pela alfandêga no aeroporto de Guarulhos, em São Paulo. Foi necessário trocar de avião, o que provocou a demora.

Em Porto Alegre, dois representates da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil aguardavam no aeroporto, acompanhados por familiares. A família da religiosa estava abatida pela demora.

Os pais de Doraci não foram ao Salgado Filho e permaneceram em Novo Hamburgo, onde moram. Depois da chegada do corpo, eles iriam para São Leopoldo, onde será o enterro. O sepultamento deve ocorrer no cemitério da Casa das Diaconisas.

A religiosa de 53 anos foi morta em seu apartamento em Nampula, a golpes de martelo na cabeça. O crime ainda não foi esclarecido pela polícia. Seis pessoas foram presas.

Nascida em Rolante, Doraci dedicou sua vida religiosa aos pobres e doentes. Em 1998 partiu para uma missão em Moçambique. Segundo sua tia, Maria Helena Edinger, desde que chegou ao continente africano, Doraci convivia com ameaças de morte. Ela prestava serviços pastorais e de assistência social à comunidade pobres rurais.

- Ela se esforçou para ensinar à comunidade pobre de Nampula o plantio de pés de caju e distribuiu outras sementes frutíferas, que garantiam subsistência e alimentação para as pessoas - diz.

O presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil, Walter Altmann, disse que a missionária gaúcha pode ter sido morta por desconfiar dos desvios do dinheiro da missão. Ela teria um encontro com Altmann, no dia 24 de Fevereiro:

- O mandante do crime ou o assassino deve ter presumido que ela ia me revelar algo grave - afirmou.

Jornal Zero Hora

Porto Alegre, 04 de Março de 2004. Edição nº 14074