12 marzo, 2004

NÃO ACREDITO QUE HAJA TRÁFICO

CORREIO DA MANHÃ (Lisboa)


NÃO ACREDITO QUE HAJA TRÁFICO

Os rituais africanos podem ser a explicação para o misterioso desaparecimento das crianças de Moçambique, um facto atribuído a um alegado tráfico de órgãos humanos. “Esse problema parece uma mistificação que pode ter por base os rituais africanos.

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Não acredito que haja uma rede de tráfico de órgãos porque Moçambique não faz transplantes nem tem condições para tal e é impensável fazer isso às escondidas noutro país”, declara ao CM o reputado cirurgião João Rodrigues Pena.

Para reforçar a sua tese, este antigo responsável pelos transplantes no Hospital Curry Cabral e Hospital da Cruz Vermelha lembra o caso de uma criança assassinada na Amadora, há alguns anos, “para o assassino comer os seus órgãos porque acreditava ser este um método terapêutico para curar os seus males e que lhe dava força”.

Rodrigues Pena considera o alegado tráfico de órgãos uma “realidade inverosímil” apenas concebida num cenário de ficção.

Apesar da grande falta de órgãos a nível mundial e de saber que há gente disposta a pagar muito dinheiro por um rim, fígado ou coração, o cirurgião refuta a tese do alegado tráfico porque “é ilícito e internacionalmente não é aceite. Não acredito que haja hospitais nem especialistas envolvidos nisso”, disse.

“Sei do que falo. Eu e a minha equipa fomos responsáveis por cerca de 2000 transplantes feitos em Portugal e a colheita de órgãos não pode ser feita por um carniceiro. É um acto cirúrgico minucioso, que requer uma equipa altamente especializada, numerosa e equipamento tecnológico muito sofisticado”, justificou Rodrigues Pena.

Questionado sobre os receptores, responde que o tamanho dos órgãos é importante. “Os órgãos das crianças são pequenos e só devem ser transplantados noutras crianças, não em adultos.”

A complexidade da transplantação passa pela compatibilidade, condição essencial para um receptor que esteja à espera de um rim ou coração. O fígado não requer a exigência da tipagem do grupo sanguíneo.

Para a transplantação ser bem sucedida é necessário que o órgão seja conservado em condições muito específicas e não pode ser submetido a temperaturas abaixo de 0 graus.

Depois de removido e criopreservado (conservado no frio), o órgão tem um tempo máximo como limite de segurança para ser transplantado.

O coração e o fígado não podem ultrapassar as 12 horas, o pulmão conserva-se pouco tempo, o rim preserva-se até às 24 horas e a córnea pode ser transplantada ao fim de 15 dias. A pele pode ser congelada, já o pâncreas e o intestino são órgãos muito delicados.

Rodrigues Pena sabe que na Índia os “colegas” fazem transplantes quando há dadores dispostos a vender um rim para criar um negócio ou casar. “Os párias vendem um rim a troco de dinheiro mas os resultados são maus e muitas vezes pagam com a própria vida”, conclui.

VIVER SEMPRE COM MEDO

Desde que as irmãs Elilda e Juliana, freiras da Congregação das Servas de Maria, denunciaram o rapto de crianças e o alegado tráfico de órgãos em Nampula, vive-se um ambiente de medo não só naquela província moçambicana, mas também nos arredores. Os pais tremem de cada vez que deixam os seus filhos na escola. Os filhos sentem-se inseguros e desconfiam da própria sombra quando não estão acompanhados. As crianças de rua, párias que não podem contar com a protecção de ninguém, vão-se escondendo como podem. As autoridades mantêm um incomodativo silêncio. As pressões internacionais sobem de tom.

Há muito que aquelas missionárias denunciam o desaparecimento de pessoas, sobretudo mulheres e crianças, e a descoberta de cadáveres com alguns órgãos removidos. Um dos casos mais divulgados é o de Sarima Iburamo, uma rapariga de 12 anos, que desapareceu em Outubro de 2002 quando ia vender fruta no centro de Nampula. No dia seguinte, apareceu o seu corpo sem o coração, pulmões e rins. A Polícia limitou-se a registar o caso.

Perante esta indiferença, as freiras fizeram pesquisas por conta própria e chegaram a filmar locais onde terão ocorrido alguns destes assassínios. As investigações só contaram com a intervenção do procurador-geral de Moçambique, Joaquim Madeira, depois de as freiras o terem contactado para lhe darem conta das suas suspeitas sobre o possível envolvimento dos seus vizinhos estrangeiros, o casal Gary O'Connor e Tania, que exploram uma quinta cedida pelo governador de Nampula, Abdul Razak, numa rede de tráfico de órgãos.

Joaquim Madeira enviou uma comissão de investigação a Nampula, que não encontrou indícios de tráfico de órgãos.

“Está tudo minado”, desabafa a irmã Elilda, ao CM, sugerindo que há pressões de figuras gradas para desabafar o caso. Contactada pelo nosso jornal, a procuradora moçambicana Isabel Rupia justifica o silêncio das autoridades afirmando que as investigações estão em curso.

A esperança da irmã Elilda, que se mantém firme nas denúncias apesar das ameaças e do assassínio da freira luterana Doraci Edinger, é que organizações internacionais actuem. A Amnistia Internacional prometeu enviar uma equipa. Portugal e Brasil estão entre os países que se disponibilizaram para ajudar nas investigações, que, segundo as irmãs, poderão encontrar ramificações em outros países, nomeadamente na Guiné-Bissau, onde recentemente foram denunciados casos de raptos.

BRASILEIROS ALICIADOS A DAR ÓRGÃOS

No Brasil, o tráfico de órgãos, sempre suspeitado mas raramente provado, provocou grande indignação em Dezembro passado, quando foi descoberta no estado de Pernambuco uma rede internacional que comprava órgãos de brasileiros pobres e os transplantava na África do Sul em cidadãos israelitas. A quadrilha, que continua a ser investigada, fez pelo menos trinta transplantes de rim e preparava-se para fazer também transplantes de fígado e coração.

Segundo depoimentos de pessoas aliciadas pela quadrilha, e cujos nomes foram mantidos em segredo devido a ameaças de morte, a rede de traficantes percorria bairros pobres da periferia de Recife, capital de Pernambuco, e aliciava desempregados de boa estrutura física a ir trabalhar na África do Sul, oferecendo-lhes até dez mil dólares mensais e todas as despesas pagas. Os que aceitavam eram levados para a cidade sul-africana de Durban, e só aí eram informados que o real objectivo era comprar-lhes um dos órgãos. Um desempregado brasileiro de 31 anos, recrutado na região de Jaboatão dos Guararapes e que aceitou viajar a trabalho para a África do Sul no início de Novembro, contou que foi levado ao Hospital St. Augustin, alegadamente para ver se a saúde estava em ordem e, depois de exaustivos exames, fizeram-lhe a proposta de vender um dos rins por 10 mil dólares. Assustado, não aceitou e foi recambiado para o Brasil, com a ameaça de que seria morto se contasse a sua história a alguém.

O capitão na reserva da Polícia Militar de Pernambuco Ivan Bonifácio da Silva e o capitão reformado do Exército de Israel Gedalia Talber são dois dos 11 suspeitos já presos no Brasil por envolvimento nesta rede. Segundo eles, a compra dos órgãos humanos em Pernambuco e as cirurgias na África do Sul eram custeadas pela Segurança Social de Israel. É que motivos religiosos impedem esse tipo de cirurgia em Israel, mas o Estado custeia os cidadãos israelitas que queiram fazer transplantes no estrangeiro.

O NEGÓCIO MACABRO VISTO POR HOLLYWOOD

A questão do tráfico de órgãos não escapa, obviamente, à indústria cinematográfica. Filmes como “Coma” e “Estranhos de Passagem” são apenas dois de uma imensidade de obras em que o negócio é abordado de forma mais ou menos frontal.

Uma das primeiras obras a denunciar claramente o tráfico de órgãos é “Coma”, dirigido no distante ano de 1978 por Michael Crichton. Baseado na obra homónima de Robin Cook (que assina o argumento de parceria com o realizador), o filme tem como protagonistas Michael Douglas e Geneviève Bujold. A história desenrola-se numa clínica privada onde alguns pacientes morrem estranhamente na sequência de operações aparentemente simples. Douglas acabará por descobrir que a clínica não passa de uma fachada para um chorudo negócio de fornecedora de órgãos. Impressionante é a cena em que Douglas descobre o armazém recheado de corpos em suspensão.

Não menos ‘chocante’ é o universo descrito em “Estranhos Prazeres” (”Dirty Pretty Things” no original), realizado em 2002 por Stephens Frears. Desta feita, a história roda em torno de um emigrante ilegal em Londres (Chiwetel Ejiofor), a quem um dia cai literalmente um coração humano nas mãos, quando tentava abrir um armário. A partir de então, o emigrante vê a sua situação (e a da companheira) em risco, embarcando numa espiral de acontecimentos que o levam a contactar de perto com o macabro mercado negro do tráfico de órgãos.

Conclusões válidas para 4 corpos exumados

Conheça aqui as principais etapas deste assunto

VERTICAL – 12.03.2004

Conclusões válidas para 4 corpos exumados

(Maputo) O Procurador-geral da República, Joaquim Madeira, disse ontem ao parlamento que as conclusões apresentadas recentemente pela sua instituição segundo as quais não há evidências de mutilação de órgãos humanos em Nampula só são validas em relação aos quatro corpos exumados.

Madeira fez esse pronunciamento em resposta à inquietação dos deputados sobre o alegado tráfico de crianças e de órgãos humanos. Este assunto marcou o informe do PGR que durante dois dias esteve no parlamento a falar sobre a administração da Justiça no País.

Falando em nome da bancada da FRELIMO, a deputada Açucena Duarte manifestou profunda indignação e preocupação com as informações que dão conta da existência de redes que se dedicam a rapto de menores e tráfico de órgãos humanos em Nampula, Manica, cidade e província de Maputo e outros pontos do País. “A nossa posição sobre este assunto é clara. Nós estamos preocupados e queremos, a todo o custo, que se concluam as investigações para que os possíveis implicados sejam julgados e condenados pela justiça”.

Segundo ela, a gravidade do assunto exige serenidade e seriedade de todos na sua abordagem.

Outros aspectos que aparentemente não inquietaram os deputados da FRELIMO são as investigações morosas e não concluídas, como acontece no “caso Siba-Siba Macuacua”, “caso Pedro Langa” ou no “caso Armando Ossufo”.

“Os cidadãos deste país exigem o cumprimento escrupuloso dos prazos legais e jamais aceitarão que os órgãos de administração da justiça, reiteradamente, desrespeitem os prazos de prisão preventiva, de proferição duma sentença ou de cumprimento de pena”, disse açucena Duarte

Por seu turno, Manuel Frank, da RENAMO-União Eleitoral, disse que o Informe do PGR deu a entender que os problemas dos cidadãos estão a ser resolvidos, enquanto na verdade não estão. Acrescentou que, a “linha verde” disponibilizada para os cidadãos queixarem-se junto do PGR não está ao alcance de todos; beneficia os cidadãos de Maputo.

Sobre o tráfico de menores, Frank disse que a PGR trata o caso como se de um romance se tratasse. Segundo ele, não basta criar comissões de investigação, é preciso agir no momento próprio.

Um outro deputado da RUE, também mostrou-se preocupado com os casos Siba-Siba, Armando Ossufo, Pedro Langa, fuga de Anibalzinho. E disse que admira como estes casos nem sequer foram mencionados no informe do PGR.

PGR

Antes de responder às várias perguntas, o PGR afirmou que o tom das intervenções dos deputados confirma que a democracia está a crescer no País.

Conforme o PGR, o caso de alegado tráfico de menores e órgãos humanos está a dar um impacto não real da situação criminal do país. Ele mostrou-se indignado por não ter recebido nenhuma informação sobre o assunto por parte dos deputado do ciclo eleitoral de Nampula. “Se o primeiro caso dizem que é de 2002, porque os deputados não falaram? E acrescentou que só este ano é que teve informação do assunto via, Liga dos Direitos Humanos.

No dizer do PGR, para melhor investigação do assunto é necessário que as instituições da justiça se unam. Este não é um problema sem solução. “A Polícia, o Ministério Público todos temos que juntar esforços para investigar este assunto. Não precisamos que venham estrangeiros investigar o alegado tráfico de menores e órgãos no nosso País”.

Sobre o “caso Siba-Siba”, Joaquim Madeira disse que já foram ouvidas 59 pessoas. As diligências continuam e algumas delas estão a ser feitas fora do País. Adiantou que no estrangeiro, sem mencionar os países, está-se a accionar mecanismos para que os ministérios públicos locais possam prosseguir com as investigações.

Quanto ao “caso Pedro Langa”, o PGR avançou que houve uma detenção, mas depois de passado o tempo de prisão preventiva o implicado foi absolvido.

Sobre o assassinato de Armando Ussufo, Madeira disse que em conexão com esse caso estão detidas pito pessoas e o processo encontra-se em andamento.

A cerca dos carros quentes de Cabo Delgado, Madeira comentou que o Ministério Público interpôs um recurso ao Supremo por não ter ficado satisfeito com a sentença do caso que absolveu os acusados . (Arménia Mucavele)

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11 marzo, 2004

DEPUTADOS MOÇAMBICANOS VÃO A NAMPULA

2004-03-11 00:00:00
Maria José Morgado diz ser necessário apoio para investigar

O tráfico de órgãos chegou ontem ao Parlamento de Maputo, com o procurador-geral de Moçambique, Joaquim Madeira, a apresentar o balanço do trabalho desenvolvido e a pedir legislação específica. Um grupo de deputados vai deslocar-se depois de amanhã a Nampula, a pedido da Renamo, principal partido da oposição.

Joaquim Madeira apresentou o relatório já conhecido sobre as investigações, que até agora não foi conclusivo. O procurador-geral moçambicano criticou o afã dos media relativamente a este caso e pediu que seja criada uma lei que regule o tráfico de crianças, a venda de órgãos humanos de modo a tornar mais eficazes as investigações. A Renamo criticou a falta de independência da procuradoria-geral em relação ao governo e pediu a deslocação de deputados a Nampula, palco de vários raptos de crianças e assassínios, denunciadas pela Congregação Servas de Maria.

O governo português está disponível para colaborar com Maputo na investigação dos alegados casos de tráfico de órgãos naquela região moçambicana. Uma disponibilidade manifestada já pela ministra da Justiça, Celeste Cardona, que afirma não ter ainda recebido nenhum pedido formal por parte das autoridades de Maputo.

Ontem, em entrevista à Rádio Renascença, a procuradora-geral adjunta, Maria José Morgado, tipificou as redes de tráfico de órgãos, as quais, sublinhou, actuam por norma em países pobres, com ligação a países mais ricos. Sem nunca se referir ao caso concreto moçambicano, a magistrada afirma que as investigações deste tipo de crimes são complexas e exigem apoio do poder político

10 marzo, 2004

Mozambico: comboniane, troppi silenzi sul traffico di organi di bambini

[RedazionePortale] Mercoledì, 10 marzo @ 17:48:36 CET Di Redazione. *** 10.03.04
Dopo le Serve di Maria, le Comboniane del Mozambico si uniscono all’appello per “rompere il silenzio” – “Break the silence” – sulla scomparsa dei bambini, vittime dei trafficanti di organi. La Provinciale delle 60 comboniane del paese africano, suor Angelina Zenti, italiana, si rivolge ora al proprio paese di origine. Le suore comboniane rilevano infatti che mentre i mezzi informativi internazionali, tra cui “Radio Exterior de Espana”, giornali e agenzie online, sia portoghesi che mozambicane, continuano ad informare sul caso della scomparsa di bambini e del ritrovamento di corpi mutilati, in Italia continua a regnare il silenzio, slavo pochissimi casi e legati per lo più al mondo missionario. ”Nel Vangelo dell'altra domenica – spiega suor Angelina Zenti – abbiamo letto ‘chi accoglie uno di questi piccoli accoglie me...’. E dunque, che dire della nostra situazione? Veramente, il demonio lavora e chi smentisce la gravità della situazione e presenta una versione della cosa contraddittoria fa pensare che il demonio abbia dei buoni collaboratori. Ma è ancora il Vangelo che ci ricorda: certi tipi di demoni si scacciano solo con la preghiera. Unitevi a noi in questa lotta per la verità, per la libertà e per la vita”. L’appello, riportato in Italia da “Femmis”, il sito internet delle Missionarie Comboniane, sottolinea inoltre che a Nampula, dopo l’assassinio della missionaria luterana Doraci Edinger, avvenuto dieci giorni fa, c’è un’aria pesante di silenzio e intimidazione. “E così pure silenzio pesante si respira passando nei pressi della grande tenuta sulla stessa strada che porta al monastero” “State tranquilli – scrivono le suore – qualsiasi cosa succeda, noi ci mettiamo nelle mani di Dio e Lui non ci abbandonerà". Fonte: Femmis

09 marzo, 2004

Missionária agredida por jornalistas

UCLA
Tráfico de cadáveres humanos leva a duas detenções
Dois responsáveis da Universidade de Medicina de Los Angeles, EUA (UCLA), foram detidos, pelo tráfico de órgãos de cadáveres humanos doados à ciência. Um dos detidos é o director do programa de doação de corpos, Henry Reid.

16:48
09 de Março 04
MOÇAMBIQUE
Missionária agredida por jornalistas
Uma das missionárias brasileiras que denunciou o tráfico de órgãos em Moçambique, na província de Nampula, foi agredida, esta terça-feira, por dois jornalistas espanhóis da «Cadena Ser».

13:51
09 de Março 04
A missionária Elilda dos Santos já apresentou queixa na polícia, mas à saída da esquadra preferiu não fazer quaisquer comentários, dizendo apenas que preferia «falar noutra altura» e que estava «bem».

Por seu lado, o director da Ordem Pública da Polícia moçambicana, Xavier Tocoli, disse à TSF que «chegaram dois indivíduos à residência [de Elilda], forçaram a porta, alegando que eram jornalistas».

«Na altura em que ela queria fechar a porta eles forçaram a entrada e pegaram-lhe no braço. Ela deu a informação de que estava a ser agredida e fomos obrigados a intervir», disse Xavier Tocoli, adiantando que «conseguimos identificar a viatura que transportava os tais jornalistas».

Xavier Tocoli adiantou também ter recebido um telefonema do primeiro secretário do embaixador de Espanha, em Maputo, «que confirmou que se tratam de jornalistas espanhóis, que vinham fazer uma reportagem sobre a problemática do tráfico de menores em Nampula».

Segundo o director da Ordem Pública «[Elilda dos Santos] não estava informada, assustou-se e interpretou isso como pessoas com intenções maléficas». As investigações vão prosseguir, como garantiu Xavier Tocoli.

O anúncio relativo às detenções foi feito pela própria universidade californiana, que explica que Henry Reid foi detido no

sábado, tendo sido libertado após o pagamento de uma caução de 20 mil dólares.

O outro detido é Ernest Nelson, de 46 anos, que serviria de intermediário e que confessou ter exercido o tráfico ao longo

de seis anos, tendo desmembrado cerca de 800 cadáveres.

Os dois homens são acusados de organizar a recuperação de corpos e órgãos para vender a vários laboratórios

privados, antes de os usarem para as suas próprias pesquisas.

A UCLA reagiu ao caso afirmando que «tais crimes violam a confiança dos dadores, das suas famílias e da UCLA.

Estamos profundamente desolados», referiu Gerald Levey, daquela instituição norte-americana.

Lentitud en las investigaciones sobre el asesinato de misionera en Mozambique que podría estar relacionado con una red de tráfico de órganos

Rebelión


La Federación Luterana Internacional (LWF) cree que las autoridades de Mozambique no manifiestan interés en agilizar las investigaciones sobre el asesinato en este país de la de la misionera Doraci Edinger. Aunque todavía no se ha demostrado la vinculación entre la muerte de Doraci Edinger y la red de tráfico de órganos, los religiosos están convencidos de ello. La LWF ha pedido al ministro mozambiqueño de Interior que estudie el caso, ya que en alguna de las declaraciones se implica a oficiales de policía de Nampula en la red de tráfico.

El cuerpo de Edinger fue encontrado el 23 de febrero en su apartamento de Nampula. La misionera brasileña había expresado, en varias ocasiones, que su seguridad corría peligro desde el momento en el que apoyó a las monjas católicas en la denuncia sobre una red de tráfico de órganos humanos y niños.

El tema saltó a finales del 2003, cuando Maria Elilda dos Santos presentó un informe a la Liga de Derechos Humanos de Mozambique, en el que se describían a personas sospechosas de matar a niños pobres para vender sus órganos a sudafricanos, a partir de ese momento Maria Elilda dos Santos y otras religiosas como la asesinada Edinger , comenzaron a ser amenazadas.

Elilda investigó el primer caso de tráfico de órganos conocido -una chica de 12 años que había desaparecido en octubre de 2002-. Su cuerpo fue encontrado sin corazón, pulmones ni riñones. El caso fue notificado a la policía, pero realizó ninguna investigación y el caso quedó archivado. Elilda y cinco niños recibieron amenazas de muerte y tuvieron que ser escondidos.

Las monjas, sobre todo españolas, en el monasterio de Matter Dei, siguen recibiendo amenazas de muerte y continúan investigando la red de tráfico de órganos de Nampula. Se han recogido más testimonios supervivientes y fotografías de niños asesinados a los que le han sido extirpados algunos órganos. El mes pasado, cuatro monjas pudieron escapar de un ataque armado después de presentar nuevas pruebas ante las autoridades.

Después de que el 25 de febrero el asistente del Procurador General del Estado, Rafael Sebastião, declarase que tras las primeras investigaciones no se habían encontrado evidencias de tráfico de órganos, los religiosos han decidido acudir al Presidente de Mozambique, Joaquim Chissano.

Tráfico de cadáveres humanos leva a duas detenções

UCLA

Dois responsáveis da Universidade de Medicina de Los Angeles, EUA (UCLA), foram detidos, pelo tráfico de órgãos de cadáveres

humanos doados à ciência. Um dos detidos é o director do programa de doação de corpos, Henry Reid.

16:48
09 de Março 04

O anúncio relativo às detenções foi feito pela própria universidade californiana, que explica que Henry Reid foi detido no sábado, tendo sido libertado após o pagamento de uma caução de 20 mil dólares.

O outro detido é Ernest Nelson, de 46 anos, que serviria de intermediário e que confessou ter exercido o tráfico ao longo de seis anos, tendo desmembrado cerca de 800 cadáveres.

Os dois homens são acusados de organizar a recuperação de corpos e órgãos para vender a vários laboratórios privados, antes de os usarem para as suas próprias pesquisas.

A UCLA reagiu ao caso afirmando que «tais crimes violam a confiança dos dadores, das suas famílias e da UCLA.

Estamos profundamente desolados», referiu Gerald Levey, daquela instituição norte-americana.

Tráfico de órgãos humanos - Redobrar esforços para trazer a verdade

2004/03/09

Exorta Ministro do Interior, Almerino Manhenje.

O Ministro do Interior, Almerino Manhenje, disse ontem em Maputo que as informações postas a circular sobre o rapto de menores e tráfico de órgãos humanos em algumas províncias do país, com realce para Nampula, requerem das autoridades um redobrar de esforços e vigilância para trazer à superfície a veracidade ou não dos factos que têm vindo a ser reportados, o que só pode ser possível com o engajamento de todos.

Para ele, é necessário que haja serenidade nas pessoas, porque, seguramente, haverá também gente de má fé que vai difundindo um conjunto de informações que apenas fará com que as autoridades despendam esforços em vão na averiguação, desviando-se daquilo que são os objectivos fundamentais para se poder resolver as reais preocupações da população.

Falando na tomada de posse de novos quadros do Comando-Geral da Polícia da República de Moçambique (PRM) e da Migração, Almerino Manhenje apontou que só desta forma é que se poderá devolver a paz e sossego, por um lado e, ao mesmo tempo, punir-se aqueles que de uma e outra maneira poderão estar envolvidos nestes actos.

Questionado por jornalistas sobre se o assunto não estaria ligado a um eventual jogo político, o ministro do Interior respondeu dizendo que até aqui estamos a trabalhar na base de factos e em função do que formos apurando vamos trazer à superfície aquilo que efectivamente é a realidade e, talvez, aquilo que é a interpretação política que supostamente isso possa ter.

O titular da pasta do Interior disse que a preocupação não é só com relação à província de Nampula, mas também Sofala e Manica. Apontou, por exemplo, que há dias, em Sofala, um menor de quatro anos abandonou a mãe no hospital, o que levou a progenitora a afirmar que se tratava de um rapto, mas na verdade o filho regressou a casa para tomar uma refeição. `Portanto, devemos estar atentos a informações de má-fé, que só visam baralhar cabeças de pessoas e semear pânico, advertiu Manhenje...


T S F

06 marzo, 2004

Moçambique suspeito de tráfico de crianças


Autor: Jornal de Notícias
Data: 06-03-2004


Missionários têm denunciado casos de alegado tráfico de órgãos extraídos a crianças

Religiosos e Religiosas que se dedicam à evangelização em Moçambique dizem que, "passado o período da guerra, que envolveu crianças e adolescentes nas suas fileiras, vemos crescer nas cidades moçambicanas o triste espectáculo de crianças que fazem das ruas a sua casa". Referem também que, "nestes últimos meses, uma preocupação adicional veio somar-se àquelas angústias" : no dia 13 de Setembro de 2003, numa denúncia assinada, entre outros, pelo arcebispo D. Tomé Makhweliha, "foram divulgados vários acontecimentos estranhos e preocupantes ocorridos na cidade de Nampula" sobre suspeitas de tráfico de órgãos de crianças para transplantes. A denúncia foi levada à reunião da Conferência Episcopal de Moçambique, que decidiu apresentar o problema ao presidente da República, Joaquim Chissano.

Investigação posterior da brasileira Maria Elilda dos Santos, leiga consagrada que trabalha em Nampula,levantou com mais acuidade o problema do tráfico de órgãos extraídos a crianças moçambicanas.

Alertadas, as autoridades optaram pela negação apressada, tendo embora confirmado a existência de cadáveres mutilados, mas não a extracção de órgãos para transplantes. O procurador-geral da República confirma que o assunto ainda está em aberto.

Religiosos e religiosas continuam a dizer que "é inegável a existência de uma rede de tráfico de órgãos a actuar na África do Sul", com ligações ao Brasil, e que se serve de Moçambique. Por isso, continuam a apelar para o apuramento da verdade e a prevalência da justiça.

Foi entretanto marcada para o próximo dia 24, em Moçambique,uma jornada de jejum, oração e reflexão sobre a situação vulnerável das crianças sujeitas à mendicidade, ao roubo, ao tráfico de drogas, à exploração no trabalho e na prostuição, e ao tráfico de órgãos para transplantes.

O presidente da Conferência Episcopal de Moçambique , D. Jaime Gonçalves, declarou, à agência "Ecclesia": "Queremos voltar a circular livremente em Moçambique sem o perigo de sermos apanhados e nos extraiam órgãos internos". O bispo da Beira classifica os alertas de Maria Elilda Santos como "um bom trabalho de denúncia". Em relação à morte da missionária brasileira Doraci Edinger, a 24 de Fevereiro, D. Jaime não sabe "se o caso está relacionado com aquelas denúncias", mas assegurou que a Conferência Episcopal está atenta. Elilda dos Santos está a ser pressionada, até com ameaças de morte, para abandonar Moçambique

Pastor acredita que religiosa conhecia o assassino

SILVANA WUTTKE/ Especial/ZH

O presidente da Igreja Evangélica de Confissão Luterana no Brasil (IECLB), Walter Altmann, disse que a irmã Doraci Edinger pode ter sido assassinada para evitar que os dois se encontrassem como estava previsto para o dia 24 de Fevereiro.

- O assassino ou seu mandante sabia ou presumia que ela iria me revelar algo grave, que de seu ponto de vista não deveria chegar ao meu conhecimento sob hipótese alguma. O que pretendia a irmã Doraci me revelar? Não sei - disse Altmann em entrevista coletiva, ontem à tarde, após sua chegada ao Brasil.

Segundo relato de Altmann, em depoimento à polícia, um dos guardas do prédio em que Doraci morava confirmou que uma pessoa teria aparecido entre 8h e 8h30min do dia 21(dia do crime) para encontrar-se com a irmã. Essa mesma pessoa, não-identificada, teria voltado um tempo depois, alegando que não a havia encontrado. Uma moradora do prédio disse ter ouvido gritos de socorro no mesmo horário.

Como não houve roubo nem estupro, indícios, segundo Altmann, apontam que a religiosa conhecia o assassino. Outra hipótese para o crime seria o carro usado pela irmã. O veículo teria gerado inveja, em função das condições de pobreza da comunidade local.
Nos últimos meses, Doraci teria manifestado a Altmann e à família preocupações com sua segurança. Em vista de uma cisão em 2001 e de uma posterior reconciliação dentro da Igreja Luterana de Moçambique, continuavam os conflitos dentro da instituição.

Ontem, em visita a familiares de Doraci, em Novo Hamburgo, o pastor entregou objetos da missionária e recebeu uma das cruzes da religiosa. Altmann também trouxe de Moçambique relatório fotográfico feito por Doraci.

IMENSIS